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Vamos jantar ou ao teatro

April 23, 2014

Hoje recebi um presente especial, um amigo, muito querido que nao via ha alguns anos embora a gente more bem perto, por aqueles casos da vida, veio almocar no Pettirosso. Considero ele quase um pai, intelectualmente falando, de minha identidade culinária e sempre curti muito seus contos lendários de fazanhas populares romanas. Pois sim, ele é romano como eu, com a diferença que ele vai cumprir, mês que vem, 80 anos de idade. Uma vida respeitável, cheia de aventuras, esposas, filhos, amantes, amarguras e felicidades.
Na medida em que o vinho começou a fluir com uma facilidade sempre maior, parece as vezes que quanto mais você beber desse magico néctar, mais você quer; memorias, como uma neblina começaram a surgir entre nos, alias dele para nos, os atentos e ávidos ouvintes.

Pippo spreca, que em paz descanse, era o apelido do avo dele. Pippo, claro, de Filippo e “spreca”, em português derrochar, como é freqüente em Roma, definia uma caraterística peculiar da pessoa. E´ normal em Roma ter um adjetivo ou um substantivo que identifique alguma caraterística peculiar, seja física ou caraterial junto a seu nome. Assim por exemplo, eu quando adolescente, era chamado de “’mbriachella” (contrario de abstêmio…), pois sempre gostei de tomar um vinho. Lembro de uma amigo a quem chamávamos de Andrea “banana”, por conta de suas pernas arcadas, outro, Lorenzo “batata” pela falta de cabelos e assim em diante; o romano é um brincalhão.

Enfim, estamos em Roma, nos primeiros anos do século vinte e a cidade é pouco mais do que o centro histórico e algumas periferias que seriam hoje os bairros nas imediações do mesmo.

Pippo spreca tem um filho adotivo, um órfão, o garoto de pouco mais de sete anos de idade quem seria, um dia, o pai de meu amigo e uma mulher, Assunta.

Pippo trabalha como “facciataro”, ou pintor de fachadas de prédios, naquela época não existiam prédios altos em Roma, o máximo que tinha era quatro andares e ele se servia de três instrumentos de trabalho: um pincel, uma escada bem longa, com a qual alcançava os lugares mais altos e seu filho adotivo, quem subia agilmente ate o topo da escada.
Pippo era um homem de outros tempos e não se preocupava mas do necessário com as criticas de quem, passando na rua onde eventualmente estava trabalhando, ficava indignado com o risco que o pobre garoto corria ao subir vários metros acima, pela escada de Pippo, e este, tão acostumado já, nem deixava o jovem descer para mudar a escada de lugar para passar a pintar outra parte da fachada e sim, com um movimento seguro e já praticado inúmeras vezes, fazia dar uns pulinhos a escada, a qual o pequeno ficava bem segurado, justo no topo dela.

Pippo era um homem simples mais não ignorante. Ele gostava de ler e praticava esse habito sempre que podia.

Um dia, voltando a casa cansado junto ao seu fiel ajudante e, sim cansado, mais ainda bem animado, depois de desabar na cadeira da mesa, na cozinha, pergunta: Assunta! Quer ir ao teatro o a jantar fora?
A essa pergunta, a mulher que tinha transcorrido o dia inteiro e muitos outros antes na monotonia das quatro paredes do pequeno apartamento, soube claramente o que responder: ao teatro é claro!
Vestidos com as roupas melhores, Pippo, Assunta e o pequeno Dioniso, assim se chamava o jovem pai de meu amigo, saíram caminhando na penumbra de um final de tarde de abril, quando em Roma, magicamente, sopra um vento morno e perfumado de flores, ontem como hoje.
Piazza Trilussa esta semi deserta e logo apos Ponte Sisto, apenas percorridos os primeiros metros de Via dei Pettinari, um aroma forte e suculento surpreende os três. E’ o aroma da “friggitoria”, onde estão se preparando os files de bacalhau, os suppli, as crocchette e as alcachofras.
A ideia de ficar sem comer se faz agora mais viva e Pippo, movido pelo insitinto, vai ate o balcão e pede “un soldo di pezzetti”. Os “pezzetti” eram as sobras da fritura, aqueles fragmentos que se desprendem durante esse tipo de cozimentos e que, em lugar de ser descartados, eram vendidos por pouco, “un soldo”, as pessoas mais humildes.
Pippo volta ate os dois com o pacote de “pezzetti” e o entrega ao jovem, logo olha para Assunta, quem lhe retribui o olhar e um sorriso cúmplice e satisfeito.

Os três continuam caminhando por via dei Pettinari, rumo ao teatro. Os três felizes e o pequeno Dioniso desfrutando dos “pezzetti” de fritura, um a um.

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